Skip to main content

A história do Diligeiro (desde o começo)

Escrito por: Antonio Carlos do Amaral Maia
Fundador e Presidente da Tikal Inteligência Artificial

Hoje, nasceu o Diligeiro na loja de aplicativos do Google (Android). É um motivo de muita felicidade a todos nós da Tikal Inteligência Artificial. E hoje mesmo, duas pessoas que não se conheciam, por intermédio do nosso aplicativo, engajaram-se livremente num contrato empresarial, vantajoso para ambos. Um serviço de um advogado foi demandado, prestado e pago por um outro. Mais do que para ambos, o negócio foi bom para nós também que o tornamos possível. Mais Adam Smith que isso, impossível.

E por isso, em homenagem aos envolvidos, permito-me contar essa história desde o começo.

Há menos dois anos, decidi empreender no mercado de tecnologia para advogados, escritórios de advocacia e departamentos jurídicos corporativos. O que parecia uma loucura em princípio, porque não sou (ou pelo menos, não era) geek e muito menos nerd – esse continuo não sendo – vem se mostrando uma aventura prazerosa, cheia de aprendizado e já com algumas realizações, que recompensa imensamente meu lado empreendedor e reforça minha convicção na livre iniciativa como mola propulsora do desenvolvimento dos povos e no mercado como fonte de criação de riqueza.

Como muitos empreendedores antes de mim, o desejo de ter uma tecnologia que facilitasse a minha rotina e a dos meus colegas advogados surgiu da insatisfação com aquilo que existia, ou pelo menos, com o que eu conhecia no mercado. Programas de acompanhamento complexos, módulos disso e módulos daquilo, organização lógica tosca, treinamentos longos, caros e entediantes, dependência de um serviço de suporte sempre deficiente, constantes mudanças de versão, preços elevados, custos ocultos, para ficar apenas nos defeitos mais irritantes.

Não é novidade nenhuma que os escritórios de advocacia e o ecossistema de prestadores de serviços de infraestrutura e suporte que se forma a partir deles compõem setor econômico dos mais resistentes às inovações tecnológicas de execução de serviços, de gestão, de marketing, de comunicação, disponíveis para os nossos colegas de países mais desenvolvidos. Mas era possível desenvolver por aqui soluções melhores, mais interessantes, simples, amigáveis e baratos do que os softwares de tecnologia e gestão disponíveis para os advogados.

Do processo de adaptar o Evernote®, um programa generalista de organização pessoal e guarda de arquivos na nuvem, para o meu escritório de advocacia de pequeno porte, surgiu a ideia de fazer um aplicativo que pudesse unir as qualidades de um bom organizador pessoal com tecnologia que eliminasse o elemento humano em serviços rotineiros, sem criatividade, terrivelmente entediantes, tão comuns nos escritórios de advocacia. O escritório com uma simples adaptação já tinha bons resultados e se pudéssemos levar nosso método aos outros escritórios, já seria grande a contribuição.

Era preciso, no entanto, dar um passo empresarial maior para oferecer tecnologia capaz de automatizar algumas das nossas rotinas de advogados e adapta-las para usuários do Evernote® (EN). Por sugestão da Patricia Demitroff (gerente do EN no Brasil), numa breve conversa telefônica antes que eu fosse para San Francisco onde o meu escritório seria apresentado por nosso consultor na conferência do aplicativo, como caso de implantação criativa e exitosa do Evernote®, eu deveria procurar o executivo Derek Oedenkoven que tinha grande experiência no mercado digital e com startups. Ele poderia me ajudar a conceber um produto e partir daí construir um aplicativo dedicado aos advogados.

Telefonei para o Derek e falei da ideia de empreender no mercado de tecnologia, e da minha experiência anterior com a implantação do Evernote® no escritório. Conversamos por quase uma hora sobre empreendedorismo, mercado de aplicativos para advogados e startups. Combinamos de falar pessoalmente tão logo eu voltasse dos EUA. Senti muita animação nele e o interesse em empreender, após muitos anos trabalhando na alta direção de um grande grupo de mídia. Antes mesmo de embarcar, algumas horas depois dessa conversa apenas, já tinha a empresa na cabeça, de onde não saiu até hoje.

Na Conferência, tomei contato com a grandeza de uma empresa de tecnologia, desenvolvedora do aplicativo até então o mais impressionante que havia conhecido. Conversei bastante com os executivos do EN, em especial da área do marketing, interessados em ouvir mais da minha história. Foram propositivos, fazendo sugestões e apresentando outros brasileiros presentes ao evento, especialmente quando dizia de minha intenção de empreender um aplicativo jurídico e da carência do mercado brasileiro. Lá se reforçou a certeza: era necessário que o produto não apenas fornecesse organização para os clientes e método de classificação de documentos, mas também fornecesse tecnologia, recursos que otimizassem as rotinas.

De volta ao Brasil, iniciamos uma série de conversas, nas quais o Derek, hoje o CEO da Tikal com dedicação exclusiva, pacientemente, ouvia minhas ideias e concepções sobre o mercado de serviços jurídicos, de tecnologia em geral e de como deveria ser o nosso produto. Enquanto isso, eu era apresentado ao mundo dos produtos digitais, do produto mínimo viável, do business model canvas. Com algumas reuniões, fomos afinando o que desejávamos da empresa: que ela desenvolvesse aplicativos para automatizar as atividades de rotina dos escritórios de advocacia, iniciando pelo registro e cadastro dos processos judiciais e a atualização cotidiana desses casos, conforme o processo se desdobra. Essas atividades são de interesse de praticamente todos os advogados. Queríamos um produto escalável.

Faltava o desenvolvedor, o cara das mágicas, termo usado por mim (depois vim a saber que é um termo corrente no Vale do Silício), para descrever recursos tecnológicos fantásticos, tais como o de cadastramento automático de processos a partir do número de registro no Tribunal, como temos no nosso produto hoje em dia. Era preciso criar uma fábrica de robôs, para que as mágicas acontecessem. Na Conferência do EN, também por intermédio da Patrícia, havia conhecido um jovem desenvolvedor brasileiro, Fernando Freitas Alves, que mais tarde, no início de 2015, embarcaria no time, como Chefe de Tecnologia (CTO).

Surgia o LegalNote numa sala do fundo do meu escritório de advocacia (AMSA), e gerida pela minha mulher e sócia Erica que é a Diretora Geral da empresa, e com quem divido não só os sonhos, mas também as tarefas necessárias para torna-los realidade. Com dedicação exclusiva, no início, somente o Fernando. O Derek vinha no final do dia para dar suporte ao Fernando, conversar com ele, ajudar a superar os desafios até que nascesse nossa primeira mágica. Um robô que, a partir do número do processo judicial informado pelo cliente, localiza o registro do processo no sistema do tribunal de justiça, faz uma cópia idêntica no LegalNote, cria um caderno com essa cópia no Evernote® e passa monitorar diariamente qualquer alteração, registrando-a e comunicando-a ao usuário por e-mail ou notificação no EN.

Com esta primeira feature validada, passamos a desenvolver a estética e usabilidade do produto final, em infindáveis reuniões com o pessoal da Estúdios Maya. Logo surgiu nosso primeiro funcionário para desenvolver  o front end, o Antônio, meu xará, que agora foi tocar guitarra em Los Angeles. Outros vieram até que a sala do fundo ficasse pequena e tivéssemos que mudar. Do início até agora, alguns já vieram e saíram enquanto outros lá estão, agora num escritório só deles, com uma cara de empresa organizada, televisões espalhadas por um salão com os números dos aplicativos, decoração geek com figuras de super-heróis e Scifi, combinadas com quadros de pintores primitivistas da minha coleção pessoal, além de gravuras com temas jurídicos, que vieram da mudança de AMSA.

No início do LegalNote, o serviço era de exclusivo para usuários do EN, mas logo oferecemos também plataforma própria, mais simples, de guarda de informações dos processos dos nossos clientes. Quando estávamos querendo nos tornarmos mais conhecidos, surgiu a ideia de participar da Fenalaw e ao fazer uma pesquisa das empresas e produtos que seriam expostos, vi a página do Diligeiro. Adorei a ideia e achei que poderia ser um bom caminho para aumentar o número de produtos complementares para o mesmo público, uma estratégia eleita desde o começo também como algo a ser perseguido: um mosaico de aplicativos.

Conversei com o Derek e com o Fernando sobre uma possível reunião de esforços e se poderíamos ajudar no desenvolvimento desse produto. Com o sim dos sócios, telefonei para o Rafael Silva, que era o responsável pelo site e sócio no empreendimento do Fábio Abrahão, também advogado. Fui muito direto ao dizer que havia gostado do produto e perguntei se ele estava precisando de algum tipo de ajuda para continuar empreendendo com o Diligeiro. Ele se mostrou interessado e começamos a conversar. A primeira decisão foi a de participar da Fenalaw em conjunto, em Outubro de 2015, aproveitando o fato de que eles já haviam reservado um estande e que poderíamos reduzir nossos custos de participação. Após, a feira, iniciamos uma negociação que resultou na ampliação da equipe da Tikal, trazendo desenvolvedores específicos para nosso novo produto. Os pais biológicos do Diligeiro embarcaram na sociedade e o Fabio entrou no time de executivos.

O Diligeiro é um aplicativo de aproximação profissional, que facilita a contratação de advogados correspondentes para executar tarefas específicas em locais distantes do domicílio do contratante. Basta que o interessado indique a tarefa que deve ser executada, o nome da repartição ou a localidade em que o serviço será executado, e quanto se propõe a pagar. A localização do colega que vai trabalhar é feita por georreferenciamento e a oferta é enviada ao celular dos advogados que estiverem mais próximos do local do serviço. Embora possa parecer algo simples, e é para o usuário, como empreendimento se mostrou altamente complexo, com milhares de detalhes a serem destrinchados e resolvidos por um time dedicado.

Foi essa mágica que se deu entre dois advogados mencionados logo no primeiro parágrafo que aconteceu hoje, tão logo nosso aplicativo foi parar na Google Play Store.

Muitas ainda virão.

 


*Escrito em 20 de Maio de 2016.

Diligeiro

A forma mais rápida, prática e segura de encontrar correspondentes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *